terça-feira, 31 de agosto de 2010

Quem você pode eleger ao votar no Tiririca

A Folha de São Paulo publicou um excelente artigo na internet que mostra as consequências de votar em alguém como o Tiririca para deputado.

Um candidato com jeito inocente aparece no horário eleitoral gratuito fazendo graça, muita gente acha isso "bonitinho" e vota nele apenas por diversão.

O problema, é que este voto, além de eleger alguém completamente despreparado, pode acabar elegendo também outros políticos muito "preparados". Preparados para roubar o país e trabalhar apenas em proveito próprio.


O Tiririca é apenas um de muitos casos semelhantes espalhados pelo Brasil. Portanto, precisamos analisar bem quem são os candidatos que fazem parte da coligação na qual vamos votar. Eu falei um pouco sobre este assunto em um post anterior.

Veja o artigo completo sobre o Tiririca na Folha:


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Serra não questiona Dilma o que realmente interessa

Nas últimas pesquisas para as eleições presidenciais, a Dilma vem abrindo uma vantagem consistente em relação ao Serra.

Eu fico triste com isso, mas, o fato é que a campanha do Serra não está me agradando.

Qualquer candidato, da extrema esquerda à extrema direita, sempre promete mais educação, saúde, transporte, segurança, emprego, estrada, saneamento básico, etc. Nenhum candidato vai ser maluco de aparecer na televisão e dizer: “A minha prioridade será diminuir a dívida pública e para isso eu vou cortar verbas da educação e da saúde”.

O problema, é que o Serra só tem feito isso, ou seja, falar as mesmas coisas que qualquer outro candidato fala.

Ele não questiona a Dilma e a administração do PT no que realmente interessa.

Eu vou votar no Serra. Não porque o acho mais competente, honesto ou simpático. Na verdade todos os candidatos a presidente são muito parecidos.

Eu vou votar no Serra porque algumas coisas na administração do PT me incomodam muito:

  • Falta de cuidado com os gastos públicos;
  • Aumento desnecessário da presença do estado em áreas que não interessam à sociedade;
  • Inchaço da máquina pública com órgãos em excesso e, claro, os cargos comissionados que os acompanham;
  • Excesso de fisiologismo nas indicações para cargos de perfil mais técnico;
  • Interferência política exagerada do governo na administração das estatais.

O problema, é que em momento algum eu vi o Serra questionando a Dilma e o PT em relação a estes pontos.

Assim, ele me passa a impressão que também concorda com essas práticas. Eu imagino que outras pessoas também devem estar tendo o mesmo entendimento.

Com isso, os dois candidatos realmente ficam muito parecidos e eu também começo a achar que tanto faz votar em um ou outro.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Ninguém questiona Dilma Roussef sobre mensalão?

Eu assisti as entrevistas de Dilma, Marina e Serra ao Jornal Nacional que foram ao ar entre 9 e 11/08/2010.

O que eu achei interessante, é que para Marina e Serra os apresentadores do JN, William Bonner e Fátima Bernardes, perguntaram sobre o Mensalão. Até com propriedade, pois, no caso de Marina perguntaram por que ela não deixou o partido ou o governo à época e, para Serra, perguntaram se ele não fica constrangido de se aliar ao PTB, que foi um dos principais participantes do mensalão.

Porém, com Dilma, que é do PT, o partido que criou, gerenciou e se beneficiou do mensalão, eles nem tocaram no assunto. Sendo que vários membros do PT que estiveram envolvidos no mensalão até o pescoço tem participação ativa na campanha de Dilma para a presidência.

Eu assisti também a entrevista que ela deu logo depois ao Jonal das Dez na Globo News e, novamente, o assunto não foi nem ventilado.

Por que será que ninguém pergunta sobre o mensalão à Dilma Roussef?

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Comunismo não funciona na prática (Parte III)

Continuando a análise dos motivos pelos quais as experiências comunistas não funcionaram na prática, a próxima razão que eu questionarei é a índole do ser humano.

Eu considero que um dos grandes entraves para a aplicação do comunismo na prática é a natureza humana.

O ser humano tende sempre a optar pelo menor esforço.

Se os nossos antepassados não tivessem que disputar espaço com animais fisicamente mais fortes, ou não tivessem que brigar pela sobrevivência com outros grupos humanos, ou não tivessem que superar as adversidades climáticas, até hoje seríamos nômades vivendo na floresta e nos abrigando em cavernas.

É a disputa que obrigou o ser humano avançar. É a necessidade de sobrevivência que nos obrigou a evoluir. Ou seja, sempre houve uma força que obrigou a humanidade dar um passo à frente para não sucumbir.

É claro que com o passar do tempo nós fomos sofisticando as nossas necessidades e outras coisas passaram a impulsionar o ser humano, como a sede de poder, de riqueza, a curiosidade, a vaidade, etc. É o que preconiza a Pirâmide de Maslow, onde as necessidades das pessoas vão se sofisticando à medida que as necessidades mais básicas vão sendo satisfeitas. Porém, fica claro, que as pessoas só irão se esforçar se perceberem que este esforço irá resultar em um prêmio mais adiante.

O problema do comunismo, é que em geral, o sistema não premia o esforço, já que em tese, todos têm aproximadamente os mesmos benefícios.

Então para que uma pessoa vai se esforçar, estudar, procurar crescer profissionalmente, procurar trabalhar da forma mais eficiente, se ele não pode nem evoluir nem regredir muito? Para que a pessoa vai suar a camisa a fim de superar as metas de produção estabelecidas, se ela não terá uma recompensa extra e nem o seu colega que não cumpriu as metas será demitido?

O incentivo seja positivo ou negativo (de maneira mais clara: promoção ou demissão) é que faz a pessoa sair da inércia na vida profissional.

Por isso, todas as experiências socialistas foram regredindo economicamente ao longo do tempo. Enquanto a pressão do capitalismo obriga a sociedade como um todo evoluir, a falta de incentivo do comunismo faz com que as pessoas se acomodem e a eficiência econômica vá diminuindo. Uma hora, alguém tem pagar essa conta.

Os defensores do comunismo alegam que dizer que no regime socialista todos têm os mesmos benefícios é um "igualitarismo grosseiro", uma "caricatura burguesa" e ainda uma "falsificação do marxismo", usados por quem quer enfraquecer o marxismo e refutá-lo mais facilmente. Os defensores alegam que o sistema de salários nos sistemas soviético e cubano não é e nem nunca foi igual para todos.

É claro que eu sei que nos países socialistas todo mundo não ganha exatamente igual, contudo o nível de exigência e de premiação dos trabalhadores é bem menor que no sistema capitalista, o que reflete diretamente na produtividade, que nos países socialistas sempre foi menor e isso ao longo do tempo levou ao colapso todas as experiências tentadas até hoje.

Para efeito de comparação, basta ver o exemplo das empresas estatais brasileiras, que são empresas com diferenças de remuneração, premiações, cobranças e, mesmo assim, elas não têm o mesmo nível de eficiência de uma empresa privada equivalente.

Vale ainda ressaltar, que Fidel Castro escreveu uma vez que, em uma evolução do comunismo, o ideal seria que os trabalhadores recebessem de acordo com as suas necessidades e não com o que produziam. E em uma entrevista de Stálin dada ao autor alemão Emil Ludwig em 1932, ele disse: "Apenas no mais alto estágio do comunismo, apenas em sua fase mais desenvolvida, é que cada um, trabalhando de acordo com a sua habilidade, será recompensado por seu trabalho de acordo com suas necessidades. De cada um de acordo com sua habilidade, para cada um de acordo com suas necessidades”. Ou seja, o objetivo de longo prazo de ambos era que o comunismo evoluísse para um patamar onde cada vez menos o esforço seria recompensado.

Deve ficar claro que eu não considero o capitalismo "um mar de rosas", pelo contrário, o capitalismo é cruel. Quem não se adaptar e não se esforçar, não “sobrevive”. Mas afinal de contas, a natureza em geral não é assim? Darwin não diz exatamente isso na teoria da evolução?

Eu concordo que se o estado de consciência das pessoas um dia evoluir até um ponto em que o bem coletivo tenha prioridade sobre as necessidades individuais, o socialismo teria chance de ser implementado e ter sucesso na prática. Mas, ainda estamos longe disso. Ou seja, o marxismo ainda é um conjunto de boas idéias, mas, precisa de um ser humano diferente da gente para funcionar na prática.

Nos próximos posts eu irei avaliar outras razões para o fracasso das experiências socialistas.


segunda-feira, 26 de julho de 2010

Avaliação do Vila Galé Eco Resort do Cabo

Eu acabei de voltar de uma viagem de férias. Meu objetivo nesta viagem era descansar durante uma semana, frequentar uma praia e não ter que me preocupar em sair para as refeições. Em função disso, eu fui para um resort.

Anteriormente, eu já tive algumas experiências frustrantes com resorts, como por exemplo, com a Costa do Sauípe, onde a comida era péssima. Mas seguindo a recomendação de alguns amigos, dessa vez eu fui para o hotel Vila Galé Eco Resort do Cabo, que fica em Cabo de Santo Agostinho (próximo a Porto de Galinhas) em Pernambuco.


O hotel fica extremamente bem localizado em um lugar isolado entre uma praia de rio e uma de mar. Tem uma extensa área verde, além da estrutura básica de um resort: piscina, spa, quadras, centro de eventos, atividades de lazer, etc. O hotel funciona no sistema all inclusive, a comida é bastante diversificada, bem feita, disponível praticamente 24 horas por dia e com opções para todos os gostos.

Como sugestões de melhoria, eu diria que alguns quartos estão precisando de uma reforma, pois, estão aparecendo pequenas infiltrações e sinais de mofo. Mas principalmente, eles precisam melhorar o sistema de reserva para o restaurante a la carte. Como este restaurante não tem condições de atender todo mundo, o número de reservas é limitado para cada apartamento, o problema, é que para conseguir fazer a reserva é preciso acordar cedo, entrar em uma fila digna de INPS e torcer para que as mesas não fiquem totalmente ocupadas antes de chegar a sua vez. Ou seja, caia fora do restaurante a la carte e fique com o self service mesmo.

Mas, de maneira geral eu gostei muito do hotel e recomendo a quem estiver interessado em ficar em um local mais isolado e com mordomia total.

Uma dica final, é que eu paguei mais barato fazendo a reserva diretamente no hotel. Todos os pacotes e operadoras que eu pesquisei estavam mais caros.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Dossiê dos manos da oficina contra o Lata Velha

Os personalizadores de carros conhecidos como Manos da Oficina, eram proprietários da oficina Dimension Customs e prestavam serviços para o quadro Lata Velha do programa Caldeirão do Huck.
Tudo ia bem, até que eles se associaram a um sujeito inescrupuloso, que com a conivência de funcionários da Rede Globo, acabou aplicando um golpe nos Manos e os deixou literalmente sem um centavo no bolso. Em grande parte por ingenuidade dos Manos, o sujeito roubou deles a oficina, as ferramentas e o contrato com a Globo.
Com isso, eles botaram a boca no trombone e criaram um blog onde contavam toda a história.
Como o caso deixava a Rede Globo e o Luciano Huck em péssima posição, eles resolveram ajudar os manos a remontar a sua oficina, mas, em troca, pediram que eles apagassem a história em forma de dossiê que eles haviam postado no blog.
Eu acho que a Rede Globo e o Luciano Huck não fizeram mais que a sua obrigação ao restituir a oficina aos caras que são trabalhadores e foram tratados como lixo por funcionários da emissora. Mas acho um absurdo que em troca eles tivessem que apagar o conteúdo do blog.
Para mim, o caso ainda não está totalmente resolvido, além de indenizar os Manos, a Globo tem de punir os seus funcionários antiéticos, tem de rescindir o contrato e entrar com um processo na justiça contra o ex-sócio dos Manos e tem de repensar o quadro Lata Velha.
Assim, para ajudar a não deixar a história morrer, eu copiei o texto postado em 10/maio/2010 pelos Manos e que foi apagado a pedido da Globo e vou deixá-lo registrado aqui, exatamente como foi escrito. Quem quiser passar a história para frente, pode ficar a vontade:

“Para quem não nos conhece, me chamo Juliano Silva Barbosa, 32 anos casado e pai de 1 filha, e juntamente de meu irmão Daniel, 35 anos, casado e pai de 2 filhos somos proprietários da Dimension Xtreme Customs.
Recentemente estávamos prestando serviço para Rede Globo de Televisão, customizando os carros do Programa Lata Velha, que compõe o Quadro Caldeirão do Huck, apresentado pelo Sr. Luciano Huck. Infelizmente, por problemas gravíssimos, optamos por nos desligarmos do programa como forma de preservarmos a nossa imagem.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Passeio de barco pelos Lagos Andinos

Um passeio de barco pelos Lagos Andinos entre o Chile e a Argentina, com um vulcão adormecido ao fundo:

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Golpe contra os Manos da Oficina do Lata Velha

Anteriormente eu critiquei aqui o programa Lata Velha e as modificações que eles fazem descaracterizando carros históricos.

Mas, apesar de não gostar da linha que o programa adota, os donos da oficina Dimension Customs, que fazia as reformas para o Caldeirão do Huck, parecem ser gente séria e honesta.

Porém os “Manos da Oficina” como são conhecidos os dois irmãos donos da Dimension, foram ludibriados por gente desonesta, parece inclusive, que com a conivência da produção do Caldeirão do Huck. Com isso, perderam a sua oficina e hoje estão passando sérias dificuldades.

Conheça a história deles no blog que criaram e ajude a divulgar este absurdo que fizeram com pessoas trabalhadoras e de boa fé:

http://dimensioncustoms.blogspot.com/


terça-feira, 25 de maio de 2010

Comunismo não funciona na prática (Parte II)

Continuando a análise do post anterior, onde eu fiz um breve apanhado da história do comunismo, eu vou falar do primeiro problema que surge para o comunismo funcionar na prática, que é a instauração do que Marx chamava de "a ditadura do proletariado":

A ditadura do proletariado é literalmente uma ditadura, mas é a ditadura burguesa de direita, virada de cabeça para baixo. Se na ditadura burguesa temos uma minoria governando sobre a imensa maioria da população (devido à sua influência econômica), no socialismo isso se inverte, ou seja, os trabalhadores assumem o poder.

Mas aí vem a primeira questão: Todos os trabalhadores estarão realmente no poder?

E ainda: Aqueles representantes dos trabalhadores que exercerão o comando da máquina pública e econômica, realmente irão trabalhar em prol daqueles que eles representam, sem colocar os próprios interesses em primeiro plano?

Como o regime é assumidamente uma ditadura e não é possível colocar toda a população no comando do país, algumas pessoas assumem o comando da máquina partidária, que é o centro de comando nos regimes comunistas, e passam a se autointitular "representantes do povo".

Invariavelmente, os grupos que assumiram o comando nos regimes comunistas conseguiram isso através da força bruta. Seja no momento em que a revolução assumiu o poder, seja posteriormente, em disputas internas entre correntes diferentes do partido. E para o grupo manter-se no poder, todos esses regimes foram conduzidos com mão de ferro.

Além da questão da disputa de poder entre as diferentes correntes comunistas, há ainda a repressão para evitar qualquer tentativa de restauração do capitalismo. E aqui existe um paradoxo, pois, se a ditadura representa a maioria, que são os trabalhadores, mesmo que esta maioria deseje a restauração do capitalismo, ela será reprimida.

O termo "democracia" no socialismo tem um conceito diferente e bem peculiar, pois, não significa democracia para todos. É democracia apenas para os trabalhadores, isso é segundo a teoria, para a imensa maioria, e ditadura para os antigos capitalistas, exploradores, oportunistas e mercenários. Ou seja, o regime é democrático desde que você esteja de acordo com ele.

Com isso, a ditadura do proletariado acaba abrindo possibilidades de perseguições políticas e injustiças ao tentar inibir tudo que é contra revolucionário, Mas afinal, quem define o que é contra revolucionário?

Contra revolucionário é aquele que está tentando restaurar o capitalismo ou é apenas aquele que começa a ganhar prestígio no partido e a ameaçar a posição do grupo de comando?

Assim, o quanto a autointitulação de representante do povo é verdade, vai depender de quem estiver exercendo o poder, pois, os representados não terão condições de se manifestarem contra aquilo que não estiverem de acordo.

Existem exemplos positivos de regimes que foram realmente voltados para o povo, como o regime cubano, por exemplo. Em Cuba, podemos concordar ou não com o regime político, mas é inegável que houve um avanço considerável nos indicadores sociais de um país que era extremamente pobre no período pré-revolucionário.

Porém, existem também exemplos terríveis, como o que ocorreu durante o governo do Khmer Vermelho no Camboja, onde houve um genocídio com milhões de vítimas, tendo como justificativa a implantação do regime.

Além de líderes que se beneficiaram pessoalmente das benesses do poder como qualquer ditador capitalista de uma república de bananas.

Como estamos lidando com pessoas, que apesar de uma ideologia comum, tem métodos e objetivos bastante distintos e como eles exercem o poder por meio de uma ditadura, não importando para isso se é de direita ou de esquerda, os resultados podem ser os mais diversos possíveis, muitas vezes o governo se afasta da ideologia comunista, comete abusos, expropria o estado e a população não consegue se opor. Em uma ditadura efetiva, de qualquer viés político, vale a vontade do grupo que está no poder, independente dele estar ou não representando a maioria.

Dessa forma, mesmo que a imensa maioria dos trabalhadores, que em tese é o grupo que está no poder, preferiram o capitalismo, não adianta, o regime permanecerá o mesmo, ou seja, o regime socialista pode se transformar em um caso de ditadura da minoria sobre a maioria. Como nós vimos nos países do leste Europeu no final na década de 1980, quando a população foi às ruas comemorar a queda dos regimes comunistas.

Esta é a primeira razão do insucesso das tentativas de implantar o comunismo na prática. Nos próximos posts eu analisarei outras razões.


segunda-feira, 17 de maio de 2010

Paulo Henrique Amorim e o jornalismo

Eu já considerei o Paulo Henrique Amorim um excelente jornalista: crítico, sensato, independente e comunicativo, apesar de um tanto tendencioso, principalmente quando se tratava de defender o governo Lula e o PT em geral. Mas, enquanto ele estava exercendo o papel de colunista, eu não podia criticar o fato dele defender suas posições, eu podia apenas concordar ou discordar delas.

Hoje ele possui um portal independente na internet, o Conversa Afiada, onde ele deixa clara sua posição política, o que também não é um problema, já que o portal é pessoal. Neste portal ele popularizou o termo PiG, repetido exaustivamente, onde classifica a grande imprensa de golpista:

"Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista."

O problema, é que ao criticar a "grande mídia", ele se esquece dos seus próprios pontos fracos. Hoje ele trabalha para a Rede Record, que pertence ao "bispo" Edir Macedo e à Igreja Universal (IURD). Mas, este não é o maior problema, afinal todos nós precisamos ganhar a vida. O problema, é que ele aceita realizar tarefas no seu emprego, como se fosse trabalho jornalístico, sem ser.

Em outubro de 2007 ele comandou uma reportagem para o programa dominical da Record, que chegou a me dar pena. Ele conduziu jornalisticamente uma matéria claramente encomendada pelo dono da empresa, o tal Edir Macedo. Eu não conheço muito de jornalismo, mas, essa reportagem deve ir contra qualquer manual básico da profissão: tratar matéria paga como se fosse notícia.

Na tal matéria, o bispo foi mostrado como vítima de perseguição por parte das autoridades porque passou 11 "terríveis" dias na cadeia e aproveitou para mostrar o seu livro em que contava as agruras sofridas neste episódio.

O Paulo Henrique cumpriu direitinho o papel que lhe cabia naquele informe publicitário disfarçado de matéria, eu percebi que em alguns momentos ele quase chegou às lágrimas com a "dramática" história do sujeito que há 15 anos, passou 11 dias na cadeia, foi tratado como manda a lei e aproveitou bem esse fato para fortalecer ainda mais a sua imagem junto aos fiéis.

Se o Paulo Henrique continuar assim, vai acabar sendo promovido pela Record pelos bons serviços prestados. A pena a qual eu me referi acima é por constatar que o jornalismo passou a ser apenas uma lembrança distante na sua carreira.

Posteriormente, em 2008, o Sr. Paulo Henrique Amorim teve o seu contrato com o portal IG rescindido e saiu atirando para todos os lados, criticando sem dó o IG e todos que tivessem algum tipo de relacionamento com o portal.

Eu concordo que o IG agiu de forma pouco ética na rescisão do contrato dele. A rescisão deveria ter sido comunicada com mais antecedência e os seus leitores deveriam ter sido informados sobre o novo local de hospedagem do blog. Contudo, eu acho que o assunto foi tratado de maneira equivocada pelo jornalista e pela maioria das pessoas que opinaram sobre o assunto:

  • O fato não se tratou de uma demissão, afinal o Paulo Henrique não era empregado do IG, tinha um contrato de hospedagem do seu site;
  • Também não se tratou de censura, o IG simplesmente não concordou com a sua postura, seja por razões comerciais ou políticas, e resolveu não continuar hospedando o seu site. O meu patrão, se não gostar de alguma atitude minha, pode me mandar embora sem nenhuma explicação e nem por isso os outros vão dizer que eu fui censurado.
  • Ele não foi injustiçado, simplesmente um contrato comercial foi rompido. Eu acredito, que financeiramente ele pode até faturar mais em um blog independente exibindo anúncios pagos.

Agora, o que me incomoda mais nessa situação, é o hábito que o Paulo Henrique tem de sair atirando sempre que deixa uma organização:

  • Ele trabalhou na Globo por muitos anos, recebia seu salário e, pelo menos aparentemente, não tinha nenhuma intenção de sair. Bastou a Globo lhe demitir, que virou o exemplo para tudo de ruim que há na imprensa e um dos membros do PiG. Quando ele estava lá dentro, não achava isso ou estava aturando calado por causa do bom salário?
  • No IG, eu nunca vi nenhuma manifestação dele contra o portal e seus acionistas. Depois que ele saiu, o portal e seus executivos ganharam apelidos pejorativos e passaram ser a encarnação do demônio.

Mas o Paulo Henrique ainda trabalha para a Record. Será que lá na Record não tem nada de errado? É correta a exploração que os "bispos" fazem dos miseráveis? É correto a IURD usar uma concessão pública para vender o seu "produto"? É correto a IURD patrocinar uma "chuva" de ações judiciais contra órgãos da impressa que a criticam? As finanças da IURD e suas coligadas são transparentes e parecem éticas? Está certo o "bispo" Macedo fazer a emissora produzir matéria encomendada como se fosse jornalística usando o Paulo Henrique como apresentador?

Talvez, se o Paulo Henrique se dispusesse a responder, ele dissesse: "Está tudo certo, não há nenhum problema com a Record."

Mas talvez, ele só se lembre de mencionar isso no dia que a Record o demitir e ele sair atirando com a sua metralhadora de conveniências.

Cuidado Paulo Henrique, pois com este hábito de atirar a esmo, você está gastando rapidamente todos os cartuchos de prestígio que acumulou durante vários anos e, um dia, os cartuchos acabam.

Eu enviei este texto para o portal do Paulo Henrique, mas, naturalmente, ele não foi publicado e nenhuma reposta me foi dada.

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