segunda-feira, 26 de julho de 2010

Avaliação do Vila Galé Eco Resort do Cabo

Eu acabei de voltar de uma viagem de férias. Meu objetivo nesta viagem era descansar durante uma semana, frequentar uma praia e não ter que me preocupar em sair para as refeições. Em função disso, eu fui para um resort.

Anteriormente, eu já tive algumas experiências frustrantes com resorts, como por exemplo, com a Costa do Sauípe, onde a comida era péssima. Mas seguindo a recomendação de alguns amigos, dessa vez eu fui para o hotel Vila Galé Eco Resort do Cabo, que fica em Cabo de Santo Agostinho (próximo a Porto de Galinhas) em Pernambuco.


O hotel fica extremamente bem localizado em um lugar isolado entre uma praia de rio e uma de mar. Tem uma extensa área verde, além da estrutura básica de um resort: piscina, spa, quadras, centro de eventos, atividades de lazer, etc. O hotel funciona no sistema all inclusive, a comida é bastante diversificada, bem feita, disponível praticamente 24 horas por dia e com opções para todos os gostos.

Como sugestões de melhoria, eu diria que alguns quartos estão precisando de uma reforma, pois, estão aparecendo pequenas infiltrações e sinais de mofo. Mas principalmente, eles precisam melhorar o sistema de reserva para o restaurante a la carte. Como este restaurante não tem condições de atender todo mundo, o número de reservas é limitado para cada apartamento, o problema, é que para conseguir fazer a reserva é preciso acordar cedo, entrar em uma fila digna de INPS e torcer para que as mesas não fiquem totalmente ocupadas antes de chegar a sua vez. Ou seja, caia fora do restaurante a la carte e fique com o self service mesmo.

Mas, de maneira geral eu gostei muito do hotel e recomendo a quem estiver interessado em ficar em um local mais isolado e com mordomia total.

Uma dica final, é que eu paguei mais barato fazendo a reserva diretamente no hotel. Todos os pacotes e operadoras que eu pesquisei estavam mais caros.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Dossiê dos manos da oficina contra o Lata Velha

Os personalizadores de carros conhecidos como Manos da Oficina, eram proprietários da oficina Dimension Customs e prestavam serviços para o quadro Lata Velha do programa Caldeirão do Huck.
Tudo ia bem, até que eles se associaram a um sujeito inescrupuloso, que com a conivência de funcionários da Rede Globo, acabou aplicando um golpe nos Manos e os deixou literalmente sem um centavo no bolso. Em grande parte por ingenuidade dos Manos, o sujeito roubou deles a oficina, as ferramentas e o contrato com a Globo.
Com isso, eles botaram a boca no trombone e criaram um blog onde contavam toda a história.
Como o caso deixava a Rede Globo e o Luciano Huck em péssima posição, eles resolveram ajudar os manos a remontar a sua oficina, mas, em troca, pediram que eles apagassem a história em forma de dossiê que eles haviam postado no blog.
Eu acho que a Rede Globo e o Luciano Huck não fizeram mais que a sua obrigação ao restituir a oficina aos caras que são trabalhadores e foram tratados como lixo por funcionários da emissora. Mas acho um absurdo que em troca eles tivessem que apagar o conteúdo do blog.
Para mim, o caso ainda não está totalmente resolvido, além de indenizar os Manos, a Globo tem de punir os seus funcionários antiéticos, tem de rescindir o contrato e entrar com um processo na justiça contra o ex-sócio dos Manos e tem de repensar o quadro Lata Velha.
Assim, para ajudar a não deixar a história morrer, eu copiei o texto postado em 10/maio/2010 pelos Manos e que foi apagado a pedido da Globo e vou deixá-lo registrado aqui, exatamente como foi escrito. Quem quiser passar a história para frente, pode ficar a vontade:

“Para quem não nos conhece, me chamo Juliano Silva Barbosa, 32 anos casado e pai de 1 filha, e juntamente de meu irmão Daniel, 35 anos, casado e pai de 2 filhos somos proprietários da Dimension Xtreme Customs.
Recentemente estávamos prestando serviço para Rede Globo de Televisão, customizando os carros do Programa Lata Velha, que compõe o Quadro Caldeirão do Huck, apresentado pelo Sr. Luciano Huck. Infelizmente, por problemas gravíssimos, optamos por nos desligarmos do programa como forma de preservarmos a nossa imagem.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Passeio de barco pelos Lagos Andinos

Um passeio de barco pelos Lagos Andinos entre o Chile e a Argentina, com um vulcão adormecido ao fundo:

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Golpe contra os Manos da Oficina do Lata Velha

Anteriormente eu critiquei aqui o programa Lata Velha e as modificações que eles fazem descaracterizando carros históricos.

Mas, apesar de não gostar da linha que o programa adota, os donos da oficina Dimension Customs, que fazia as reformas para o Caldeirão do Huck, parecem ser gente séria e honesta.

Porém os “Manos da Oficina” como são conhecidos os dois irmãos donos da Dimension, foram ludibriados por gente desonesta, parece inclusive, que com a conivência da produção do Caldeirão do Huck. Com isso, perderam a sua oficina e hoje estão passando sérias dificuldades.

Conheça a história deles no blog que criaram e ajude a divulgar este absurdo que fizeram com pessoas trabalhadoras e de boa fé:

http://dimensioncustoms.blogspot.com/


terça-feira, 25 de maio de 2010

Comunismo não funciona na prática (Parte II)

Continuando a análise do post anterior, onde eu fiz um breve apanhado da história do comunismo, eu vou falar do primeiro problema que surge para o comunismo funcionar na prática, que é a instauração do que Marx chamava de "a ditadura do proletariado":

A ditadura do proletariado é literalmente uma ditadura, mas é a ditadura burguesa de direita, virada de cabeça para baixo. Se na ditadura burguesa temos uma minoria governando sobre a imensa maioria da população (devido à sua influência econômica), no socialismo isso se inverte, ou seja, os trabalhadores assumem o poder.

Mas aí vem a primeira questão: Todos os trabalhadores estarão realmente no poder?

E ainda: Aqueles representantes dos trabalhadores que exercerão o comando da máquina pública e econômica, realmente irão trabalhar em prol daqueles que eles representam, sem colocar os próprios interesses em primeiro plano?

Como o regime é assumidamente uma ditadura e não é possível colocar toda a população no comando do país, algumas pessoas assumem o comando da máquina partidária, que é o centro de comando nos regimes comunistas, e passam a se autointitular "representantes do povo".

Invariavelmente, os grupos que assumiram o comando nos regimes comunistas conseguiram isso através da força bruta. Seja no momento em que a revolução assumiu o poder, seja posteriormente, em disputas internas entre correntes diferentes do partido. E para o grupo manter-se no poder, todos esses regimes foram conduzidos com mão de ferro.

Além da questão da disputa de poder entre as diferentes correntes comunistas, há ainda a repressão para evitar qualquer tentativa de restauração do capitalismo. E aqui existe um paradoxo, pois, se a ditadura representa a maioria, que são os trabalhadores, mesmo que esta maioria deseje a restauração do capitalismo, ela será reprimida.

O termo "democracia" no socialismo tem um conceito diferente e bem peculiar, pois, não significa democracia para todos. É democracia apenas para os trabalhadores, isso é segundo a teoria, para a imensa maioria, e ditadura para os antigos capitalistas, exploradores, oportunistas e mercenários. Ou seja, o regime é democrático desde que você esteja de acordo com ele.

Com isso, a ditadura do proletariado acaba abrindo possibilidades de perseguições políticas e injustiças ao tentar inibir tudo que é contra revolucionário, Mas afinal, quem define o que é contra revolucionário?

Contra revolucionário é aquele que está tentando restaurar o capitalismo ou é apenas aquele que começa a ganhar prestígio no partido e a ameaçar a posição do grupo de comando?

Assim, o quanto a autointitulação de representante do povo é verdade, vai depender de quem estiver exercendo o poder, pois, os representados não terão condições de se manifestarem contra aquilo que não estiverem de acordo.

Existem exemplos positivos de regimes que foram realmente voltados para o povo, como o regime cubano, por exemplo. Em Cuba, podemos concordar ou não com o regime político, mas é inegável que houve um avanço considerável nos indicadores sociais de um país que era extremamente pobre no período pré-revolucionário.

Porém, existem também exemplos terríveis, como o que ocorreu durante o governo do Khmer Vermelho no Camboja, onde houve um genocídio com milhões de vítimas, tendo como justificativa a implantação do regime.

Além de líderes que se beneficiaram pessoalmente das benesses do poder como qualquer ditador capitalista de uma república de bananas.

Como estamos lidando com pessoas, que apesar de uma ideologia comum, tem métodos e objetivos bastante distintos e como eles exercem o poder por meio de uma ditadura, não importando para isso se é de direita ou de esquerda, os resultados podem ser os mais diversos possíveis, muitas vezes o governo se afasta da ideologia comunista, comete abusos, expropria o estado e a população não consegue se opor. Em uma ditadura efetiva, de qualquer viés político, vale a vontade do grupo que está no poder, independente dele estar ou não representando a maioria.

Dessa forma, mesmo que a imensa maioria dos trabalhadores, que em tese é o grupo que está no poder, preferiram o capitalismo, não adianta, o regime permanecerá o mesmo, ou seja, o regime socialista pode se transformar em um caso de ditadura da minoria sobre a maioria. Como nós vimos nos países do leste Europeu no final na década de 1980, quando a população foi às ruas comemorar a queda dos regimes comunistas.

Esta é a primeira razão do insucesso das tentativas de implantar o comunismo na prática. Nos próximos posts eu analisarei outras razões.


segunda-feira, 17 de maio de 2010

Paulo Henrique Amorim e o jornalismo

Eu já considerei o Paulo Henrique Amorim um excelente jornalista: crítico, sensato, independente e comunicativo, apesar de um tanto tendencioso, principalmente quando se tratava de defender o governo Lula e o PT em geral. Mas, enquanto ele estava exercendo o papel de colunista, eu não podia criticar o fato dele defender suas posições, eu podia apenas concordar ou discordar delas.

Hoje ele possui um portal independente na internet, o Conversa Afiada, onde ele deixa clara sua posição política, o que também não é um problema, já que o portal é pessoal. Neste portal ele popularizou o termo PiG, repetido exaustivamente, onde classifica a grande imprensa de golpista:

"Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista."

O problema, é que ao criticar a "grande mídia", ele se esquece dos seus próprios pontos fracos. Hoje ele trabalha para a Rede Record, que pertence ao "bispo" Edir Macedo e à Igreja Universal (IURD). Mas, este não é o maior problema, afinal todos nós precisamos ganhar a vida. O problema, é que ele aceita realizar tarefas no seu emprego, como se fosse trabalho jornalístico, sem ser.

Em outubro de 2007 ele comandou uma reportagem para o programa dominical da Record, que chegou a me dar pena. Ele conduziu jornalisticamente uma matéria claramente encomendada pelo dono da empresa, o tal Edir Macedo. Eu não conheço muito de jornalismo, mas, essa reportagem deve ir contra qualquer manual básico da profissão: tratar matéria paga como se fosse notícia.

Na tal matéria, o bispo foi mostrado como vítima de perseguição por parte das autoridades porque passou 11 "terríveis" dias na cadeia e aproveitou para mostrar o seu livro em que contava as agruras sofridas neste episódio.

O Paulo Henrique cumpriu direitinho o papel que lhe cabia naquele informe publicitário disfarçado de matéria, eu percebi que em alguns momentos ele quase chegou às lágrimas com a "dramática" história do sujeito que há 15 anos, passou 11 dias na cadeia, foi tratado como manda a lei e aproveitou bem esse fato para fortalecer ainda mais a sua imagem junto aos fiéis.

Se o Paulo Henrique continuar assim, vai acabar sendo promovido pela Record pelos bons serviços prestados. A pena a qual eu me referi acima é por constatar que o jornalismo passou a ser apenas uma lembrança distante na sua carreira.

Posteriormente, em 2008, o Sr. Paulo Henrique Amorim teve o seu contrato com o portal IG rescindido e saiu atirando para todos os lados, criticando sem dó o IG e todos que tivessem algum tipo de relacionamento com o portal.

Eu concordo que o IG agiu de forma pouco ética na rescisão do contrato dele. A rescisão deveria ter sido comunicada com mais antecedência e os seus leitores deveriam ter sido informados sobre o novo local de hospedagem do blog. Contudo, eu acho que o assunto foi tratado de maneira equivocada pelo jornalista e pela maioria das pessoas que opinaram sobre o assunto:

  • O fato não se tratou de uma demissão, afinal o Paulo Henrique não era empregado do IG, tinha um contrato de hospedagem do seu site;
  • Também não se tratou de censura, o IG simplesmente não concordou com a sua postura, seja por razões comerciais ou políticas, e resolveu não continuar hospedando o seu site. O meu patrão, se não gostar de alguma atitude minha, pode me mandar embora sem nenhuma explicação e nem por isso os outros vão dizer que eu fui censurado.
  • Ele não foi injustiçado, simplesmente um contrato comercial foi rompido. Eu acredito, que financeiramente ele pode até faturar mais em um blog independente exibindo anúncios pagos.

Agora, o que me incomoda mais nessa situação, é o hábito que o Paulo Henrique tem de sair atirando sempre que deixa uma organização:

  • Ele trabalhou na Globo por muitos anos, recebia seu salário e, pelo menos aparentemente, não tinha nenhuma intenção de sair. Bastou a Globo lhe demitir, que virou o exemplo para tudo de ruim que há na imprensa e um dos membros do PiG. Quando ele estava lá dentro, não achava isso ou estava aturando calado por causa do bom salário?
  • No IG, eu nunca vi nenhuma manifestação dele contra o portal e seus acionistas. Depois que ele saiu, o portal e seus executivos ganharam apelidos pejorativos e passaram ser a encarnação do demônio.

Mas o Paulo Henrique ainda trabalha para a Record. Será que lá na Record não tem nada de errado? É correta a exploração que os "bispos" fazem dos miseráveis? É correto a IURD usar uma concessão pública para vender o seu "produto"? É correto a IURD patrocinar uma "chuva" de ações judiciais contra órgãos da impressa que a criticam? As finanças da IURD e suas coligadas são transparentes e parecem éticas? Está certo o "bispo" Macedo fazer a emissora produzir matéria encomendada como se fosse jornalística usando o Paulo Henrique como apresentador?

Talvez, se o Paulo Henrique se dispusesse a responder, ele dissesse: "Está tudo certo, não há nenhum problema com a Record."

Mas talvez, ele só se lembre de mencionar isso no dia que a Record o demitir e ele sair atirando com a sua metralhadora de conveniências.

Cuidado Paulo Henrique, pois com este hábito de atirar a esmo, você está gastando rapidamente todos os cartuchos de prestígio que acumulou durante vários anos e, um dia, os cartuchos acabam.

Eu enviei este texto para o portal do Paulo Henrique, mas, naturalmente, ele não foi publicado e nenhuma reposta me foi dada.

terça-feira, 4 de maio de 2010

O sistema eleitoral parlamentar está falido

O sistema eleitoral brasileiro para as eleições parlamentares (de deputados federais, estaduais e vereadores) está completamente falido: você vota em quem quer e elege quem não quer.

O problema é o sistema de distribuição de vagas pelo número de votos no partido ou coligação.

Como funciona o sistema? Somam-se todos os votos válidos de cada partido e faz-se um rateio proporcional ao número de cadeiras disponíveis.

Veja um exemplo hipotético para uma eleição disputada por 3 partidos para uma câmera de vereadores com 9 vagas:

Suponha que o partido A teve 140 votos, o partido B 700 votos e o partido C 420 votos.

Soma-se a quantidade de votos: 1260 e divide-se pela quantidade de vagas: 1260 / 9 = 140. Assim, a cada 140 votos o partido terá direito a uma vaga. Ou seja, o partido A terá 1 vaga, o B 5 vagas e o C 3 vagas.

Dentro de cada partido, são eleitos os candidatos mais votados de acordo com a quantidade de vagas destinada a cada partido.

Assim, quando você vota em um candidato a parlamentar, você na verdade, não está votando nele e sim em um dos candidatos mais votados daquele partido. Ou seja, você nunca sabe para quem o seu voto vai.

Vamos imaginar uma situação onde o partido A do exemplo acima tenha apenas dois candidatos a vereador: um deles é um corrupto notório, mas, apesar disso tem muitos votos; o outro é um candidato honesto, mas, com menos apelo popular.

Na eleição, o corrupto teve 80 votos e o honesto teve apenas 60 votos. Mesmo que você tenha votado no honesto, você elegeu o corrupto, pois, com apenas os 80 votos dele, ele não teria atingido o coeficiente necessário para ter direito a uma vaga ele precisou dos 60 votos que foram dados ao candidato honesto.

Existe ainda outro tipo de distorção: imagine que no partido B um candidato sozinho teve 600 votos e todos os outros candidatos somados tiveram os 100 votos restantes do partido. O partido B ganhou 5 vagas, mas, só um candidato foi realmente votado, os outros 4 foram eleitos com a votação do primeiro, inclusive, tiveram muito menos votos que o candidato que não foi eleito pelo partido A.

Qual é a solução para isso?

Eu vejo duas possibilidades:

  • Voto distrital, onde o país, o estado ou a cidade, seriam divididos em pequenos distritos e cada distrito elegeria o seu candidato mais votado. A vantagem desse sistema é que você vota em um candidato mais próximo da sua comunidade e, teoricamente, mais alinhado com os interesses de quem o elegeu.
  • Voto direto no candidato e não no partido, onde seriam eleitos os candidatos mais votados de acordo com o número de vagas. A vantagem desse sistema é que ele é simples e direto, candidato bem votado é eleito e o mal votado não.
Por que o sistema não é alterado?

Porque isso não interessa a quem está no poder e quer se perpetuar por lá, o sistema atual é muito útil para manter tudo do jeito que está.

Tem um projeto tramitando no congresso que cria outra aberração, que é o voto em lista. Neste sistema você votaria apenas no partido e o partido é que escolheria a ordem dos candidatos em uma lista previamente definida. Ou seja, você continuaria sem saber em quem votou e ainda abriria espaço para os partidos venderem vagas no topo dessa lista. Como sempre, é um sistema que só interessa a quem já está no poder e tem a máquina partidária sob seu controle.

A Lucia Hippolito, da rádio CBN, abordou essa questão há poucos dias e disse textualmente que o sistema eleitoral brasileiro está falido. Ouça:

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Comunismo não funciona na prática (Parte I)

O comunismo é uma teoria excelente, mas, quando trazida para a prática não se mostra viável. Até hoje, todas as experiências práticas de implantação de um regime comunista fracassaram. Ou estes regimes foram extintos, ou migraram para um capitalismo disfarçado, ou estão agonizando lenta e dolorosamente.

O que eu pretendo nesta série de posts, é analisar por que isso acontece. Por que uma teoria tão interessante, que prega o fim da exploração do homem pelo homem, que coloca os trabalhadores no poder, que democratiza os meios de produção, que determina que a produção deve ser voltada para atender os interesses da população e não dos proprietários dos meios de produção, não funciona?

Para isso, inicialmente, eu vou fazer um pequeno resumo histórico das origens da teoria comunista, depois vou mostrar alguns casos onde ela foi aplicada na prática, para, por fim, analisar as causas do fracasso destas experiências.

As primeiras teorias comunistas são bastante antigas, mas, elas existiam de maneira dispersa e sem uma integração entre elas. O primeiro pensador a formular uma teoria completa e tratar o assunto de maneira mais abrangente foi Karl Marx, que publicou na segunda metade do século XIX obras que até hoje são referência para o pensamento comunista: O Manifesto Comunista, em conjunto com Engels e O Capital.

Marx e suas obras foram tão importantes para a consolidação do pensamento comunista que até hoje o Marxismo é uma escola extremamente conceituada dentro do pensamento comunista, alem de ser considerada a base para praticamente tudo que surgiu depois.

O que impulsionou fortemente o comunismo na Europa foi a Revolução Industrial. Foi neste período que o trabalho assalariado apareceu com grande força e os trabalhadores passaram a ser muito explorados pelos donos do capital.

As teorias de Marx tratavam justamente da relação entre capital e trabalho e se pudéssemos resumir tudo o Marx disse em uma palavra, ela seria: Mais-valia.

O grande questionamento de Marx era com o fato do trabalhador produzir e o dono do meio de produção lucrar com o trabalho braçal do trabalhador. Sendo que, o dono do meio de produção não tinha nenhum papel no sistema produtivo a não ser o fato de estar de posse dos meios de produção. Se estes meios fossem expropriados pelos trabalhadores, a produção continuaria da mesma forma e o capitalista não faria nenhuma falta.

Uma citação básica do Manifesto, de Marx e Engels é que "A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e companheiro, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre, ou por uma transformação revolucionária, da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em luta". Assim, o que os socialistas enxergavam no capitalismo era a luta entre duas classes que possuíam interesses antagônicos, a mesma luta que sempre ocorreu na história da humanidade.

Juntando o cenário de exploração dos assalariados, uma teoria sólida e consistente embasando a luta de classes e a mobilização dos trabalhadores, movimentos comunistas começaram a se espalhar pela Europa.

O primeiro caso concreto de revolução comunista ocorreu na Rússia em 1917, depois que Marx já havia morrido, implantando o que ele chamava de Ditadura do Proletariado. O líder dessa revolução foi Lênin, que posteriormente foi sucedido por Stalin ao sair vencedor de uma disputa pelo poder com Leon Trotski. Os três são considerados até hoje figuras de referência no pensamento e na implementação do comunismo e são pais de influentes escolas comunistas: o Leninismo, o Stalinismo e o Trotskismo.

Depois da experiência Russa, que acabou dando origem a União Soviética (URSS), outras revoluções ocorreram na Europa, principalmente após o fim da 2ª guerra mundial, sempre apoiadas e patrocinadas pela URSS. Houve outra revolução comunista na China, onde se instalou o Maoísmo e um caso particular em Cuba, devido a derrota imposta aos Estados Unidos, com o Castrismo. Ocorreram outras revoluções comunistas vitoriosas, mas, tiveram menor importância histórica.

Estas experiências duraram até por volta de 1990, quando o desmantelamento do regime Russo por problemas econômicos, causou um efeito cascata em todos os outros regimes que orbitavam fortemente a União Soviética. A China deixou as teorias econômicas socialistas de lado e passou a se comportar apenas como uma ditadura de direita. O único caso de resistência aos princípios da revolução é o de Cuba, que vai agonizando com uma contribuição substancial dos Estados Unidos para isso.

Os socialistas dizem que não é possível afirmar que nenhuma experiência socialista deu certo, pois, a URSS foi uma experiência socialista vitoriosa e mostrou que o sistema é exequível. Segundo os defensores do regime soviético, o socialismo só foi bem aplicado até Stalin, depois o oportunismo revisionista de Kruschev, Gorbatchev & Cia fez com que o regime entrasse em colapso. Mas, a verdade é que o regime comunista soviético não existe mais.

Afinal, o que aconteceu para regimes outrora tão sólidos e desafiadores, se desmancharem por si só? É o que eu pretendo analisar nos próximos posts.


quinta-feira, 8 de abril de 2010

Azulejos em São Luis

O casario com fachadas azulejadas em São Luis no Maranhão é fora de série. Pena que as casas estejam tão degradadas:

Mas, também, de um estado governado pelo clã dos Sarney em conjunto com a trupe do Lobão há mais de 40 anos, não se poderia esperar coisa melhor. Alias, no Maranhão existem coisas bem piores que o nível de conservação do centro histórico de São Luis. Se algum maranhense estiver interessado em mudar isso, em outubro de 2010 teremos uma boa oportunidade...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O avô paterno da Isabella Nardoni

Falar sobre o julgamento dos assassinos da menina Isabella Nardoni a essas alturas, é como chover no molhado. A imprensa já noticiou fartamente o acontecido e todos os vizinhos e parentes já discutiram o assunto à exaustão. Por isso, eu não queria escrever nada sobre o caso, até mesmo para não parecer oportunismo.

Mas tem uma coisa que vem me incomodando desde que o crime ocorreu e sobre a qual eu vi muito pouco comentário a respeito: a atitude do pai do Alexandre Nardoni (e avô da Isabella, consequentemente) diante dos acontecimentos.

Eu entendo que se um filho faz uma besteira, o instinto paterno faz com que você tente protegê-lo. E mesmo que o pai saiba que o filho é realmente culpado pela besteira, ele irá tentar apoiá-lo da melhor maneira possível.

O problema, é que o pai do Alexandre Nardoni está protegendo cegamente o assassino da sua própria neta. Será que em nenhum momento ele pensou como avô, antes de defender o filho contra todas as provas?

Eu imagino que o papel correto de um avô que sabe que seu filho matou a sua neta, seria dizer o seguinte:

"Meu filho, você fez uma tremenda besteira, porém, eu não deixarei de ser seu pai por causa disso, eu lhe darei todo o apoio que for possível, mas, você terá que pagar pelo crime que cometeu, afinal, a minha neta foi assassinada e eu não vou admitir que o seu carrasco saia impune."

Mas, o avô paterno da Isabella, o Sr. Antonio Nardoni, ao contrário, está tentando usar todas as brechas jurídicas possíveis para livrar o filho assassino da cadeia. Sem admitir, por um momento sequer, pelo menos dúvida sobre a culpa do seu filho.

Por isso eu me pergunto: Será que o Alexandre Nardoni fez o que fez por causa da criação que teve em casa?

Será que o pai dele acobertou todas as besteiras que ele fez ao longo da vida, sem nunca lhe chamar à responsabilidade, e ele ficou com a sensação que era inatingível?

Pois mesmo quando ele fez a maior besteira de sua vida, o pai ainda o acoberta ao invés de tentar, mesmo que tardiamente, lhe imputar alguma responsabilidade.

Nós pais precisamos ter cuidado com o tipo de apoio que estamos dando aos nossos filhos. Nós podemos estar criando monstros em casa sem nos dar conta disso. O pai do Alexandre Nardoni parece que até hoje ainda não se deu conta.

Como fechamento, fica uma frase que eu ouvi em algum lugar recentemente:

"Nós estamos muito preocupados em deixar um mundo melhor para os nossos filhos. Será que não deveríamos nos preocupar também em deixar filhos melhores para o mundo?"

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