quinta-feira, 22 de abril de 2010

Comunismo não funciona na prática (Parte I)

O comunismo é uma teoria excelente, mas, quando trazida para a prática não se mostra viável. Até hoje, todas as experiências práticas de implantação de um regime comunista fracassaram. Ou estes regimes foram extintos, ou migraram para um capitalismo disfarçado, ou estão agonizando lenta e dolorosamente.

O que eu pretendo nesta série de posts, é analisar por que isso acontece. Por que uma teoria tão interessante, que prega o fim da exploração do homem pelo homem, que coloca os trabalhadores no poder, que democratiza os meios de produção, que determina que a produção deve ser voltada para atender os interesses da população e não dos proprietários dos meios de produção, não funciona?

Para isso, inicialmente, eu vou fazer um pequeno resumo histórico das origens da teoria comunista, depois vou mostrar alguns casos onde ela foi aplicada na prática, para, por fim, analisar as causas do fracasso destas experiências.

As primeiras teorias comunistas são bastante antigas, mas, elas existiam de maneira dispersa e sem uma integração entre elas. O primeiro pensador a formular uma teoria completa e tratar o assunto de maneira mais abrangente foi Karl Marx, que publicou na segunda metade do século XIX obras que até hoje são referência para o pensamento comunista: O Manifesto Comunista, em conjunto com Engels e O Capital.

Marx e suas obras foram tão importantes para a consolidação do pensamento comunista que até hoje o Marxismo é uma escola extremamente conceituada dentro do pensamento comunista, alem de ser considerada a base para praticamente tudo que surgiu depois.

O que impulsionou fortemente o comunismo na Europa foi a Revolução Industrial. Foi neste período que o trabalho assalariado apareceu com grande força e os trabalhadores passaram a ser muito explorados pelos donos do capital.

As teorias de Marx tratavam justamente da relação entre capital e trabalho e se pudéssemos resumir tudo o Marx disse em uma palavra, ela seria: Mais-valia.

O grande questionamento de Marx era com o fato do trabalhador produzir e o dono do meio de produção lucrar com o trabalho braçal do trabalhador. Sendo que, o dono do meio de produção não tinha nenhum papel no sistema produtivo a não ser o fato de estar de posse dos meios de produção. Se estes meios fossem expropriados pelos trabalhadores, a produção continuaria da mesma forma e o capitalista não faria nenhuma falta.

Uma citação básica do Manifesto, de Marx e Engels é que "A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e companheiro, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre, ou por uma transformação revolucionária, da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em luta". Assim, o que os socialistas enxergavam no capitalismo era a luta entre duas classes que possuíam interesses antagônicos, a mesma luta que sempre ocorreu na história da humanidade.

Juntando o cenário de exploração dos assalariados, uma teoria sólida e consistente embasando a luta de classes e a mobilização dos trabalhadores, movimentos comunistas começaram a se espalhar pela Europa.

O primeiro caso concreto de revolução comunista ocorreu na Rússia em 1917, depois que Marx já havia morrido, implantando o que ele chamava de Ditadura do Proletariado. O líder dessa revolução foi Lênin, que posteriormente foi sucedido por Stalin ao sair vencedor de uma disputa pelo poder com Leon Trotski. Os três são considerados até hoje figuras de referência no pensamento e na implementação do comunismo e são pais de influentes escolas comunistas: o Leninismo, o Stalinismo e o Trotskismo.

Depois da experiência Russa, que acabou dando origem a União Soviética (URSS), outras revoluções ocorreram na Europa, principalmente após o fim da 2ª guerra mundial, sempre apoiadas e patrocinadas pela URSS. Houve outra revolução comunista na China, onde se instalou o Maoísmo e um caso particular em Cuba, devido a derrota imposta aos Estados Unidos, com o Castrismo. Ocorreram outras revoluções comunistas vitoriosas, mas, tiveram menor importância histórica.

Estas experiências duraram até por volta de 1990, quando o desmantelamento do regime Russo por problemas econômicos, causou um efeito cascata em todos os outros regimes que orbitavam fortemente a União Soviética. A China deixou as teorias econômicas socialistas de lado e passou a se comportar apenas como uma ditadura de direita. O único caso de resistência aos princípios da revolução é o de Cuba, que vai agonizando com uma contribuição substancial dos Estados Unidos para isso.

Os socialistas dizem que não é possível afirmar que nenhuma experiência socialista deu certo, pois, a URSS foi uma experiência socialista vitoriosa e mostrou que o sistema é exequível. Segundo os defensores do regime soviético, o socialismo só foi bem aplicado até Stalin, depois o oportunismo revisionista de Kruschev, Gorbatchev & Cia fez com que o regime entrasse em colapso. Mas, a verdade é que o regime comunista soviético não existe mais.

Afinal, o que aconteceu para regimes outrora tão sólidos e desafiadores, se desmancharem por si só? É o que eu pretendo analisar nos próximos posts.


quinta-feira, 8 de abril de 2010

Azulejos em São Luis

O casario com fachadas azulejadas em São Luis no Maranhão é fora de série. Pena que as casas estejam tão degradadas:

Mas, também, de um estado governado pelo clã dos Sarney em conjunto com a trupe do Lobão há mais de 40 anos, não se poderia esperar coisa melhor. Alias, no Maranhão existem coisas bem piores que o nível de conservação do centro histórico de São Luis. Se algum maranhense estiver interessado em mudar isso, em outubro de 2010 teremos uma boa oportunidade...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O avô paterno da Isabella Nardoni

Falar sobre o julgamento dos assassinos da menina Isabella Nardoni a essas alturas, é como chover no molhado. A imprensa já noticiou fartamente o acontecido e todos os vizinhos e parentes já discutiram o assunto à exaustão. Por isso, eu não queria escrever nada sobre o caso, até mesmo para não parecer oportunismo.

Mas tem uma coisa que vem me incomodando desde que o crime ocorreu e sobre a qual eu vi muito pouco comentário a respeito: a atitude do pai do Alexandre Nardoni (e avô da Isabella, consequentemente) diante dos acontecimentos.

Eu entendo que se um filho faz uma besteira, o instinto paterno faz com que você tente protegê-lo. E mesmo que o pai saiba que o filho é realmente culpado pela besteira, ele irá tentar apoiá-lo da melhor maneira possível.

O problema, é que o pai do Alexandre Nardoni está protegendo cegamente o assassino da sua própria neta. Será que em nenhum momento ele pensou como avô, antes de defender o filho contra todas as provas?

Eu imagino que o papel correto de um avô que sabe que seu filho matou a sua neta, seria dizer o seguinte:

"Meu filho, você fez uma tremenda besteira, porém, eu não deixarei de ser seu pai por causa disso, eu lhe darei todo o apoio que for possível, mas, você terá que pagar pelo crime que cometeu, afinal, a minha neta foi assassinada e eu não vou admitir que o seu carrasco saia impune."

Mas, o avô paterno da Isabella, o Sr. Antonio Nardoni, ao contrário, está tentando usar todas as brechas jurídicas possíveis para livrar o filho assassino da cadeia. Sem admitir, por um momento sequer, pelo menos dúvida sobre a culpa do seu filho.

Por isso eu me pergunto: Será que o Alexandre Nardoni fez o que fez por causa da criação que teve em casa?

Será que o pai dele acobertou todas as besteiras que ele fez ao longo da vida, sem nunca lhe chamar à responsabilidade, e ele ficou com a sensação que era inatingível?

Pois mesmo quando ele fez a maior besteira de sua vida, o pai ainda o acoberta ao invés de tentar, mesmo que tardiamente, lhe imputar alguma responsabilidade.

Nós pais precisamos ter cuidado com o tipo de apoio que estamos dando aos nossos filhos. Nós podemos estar criando monstros em casa sem nos dar conta disso. O pai do Alexandre Nardoni parece que até hoje ainda não se deu conta.

Como fechamento, fica uma frase que eu ouvi em algum lugar recentemente:

"Nós estamos muito preocupados em deixar um mundo melhor para os nossos filhos. Será que não deveríamos nos preocupar também em deixar filhos melhores para o mundo?"

sábado, 27 de março de 2010

Pôr do sol em Salvador

Uma bela vista do pôr do sol a partir da praia do Rio Vermelho em Salvador-BA:

sábado, 20 de março de 2010

A aposentadoria de Willy Gonser

No final de 2009, se aposentou um dos mais tradicionais locutores esportivos do país: Willy Gonser.

Willy trabalhava na Rádio Itatiaia de Belo Horizonte há mais de 30 anos e tinha uma técnica impecável de locução. Anteriormente ele trabalhou em rádios de vários estados diferentes.

A sua saída da Itatiaia não foi muito amistosa. Willy já estava com mais de 70 anos de idade e em algumas ocasiões sua voz falhou durante as transmissões esportivas. A Rádio alegou que ele tinha problemas nas cordas vocais e ofereceu que ele continuasse trabalhando apenas como comentarista, porém, com um salário menor.

O locutor não aceitou a redução salarial e argumentou que não tinha nenhum problema de voz. Segundo ele, as falhas que ocorreram foram devido a um resfriado mal curado, mas que depois de um período de repouso, ele já estaria em plenas condições de trabalho.

Como não houve acordo com a Itatiaia, Willy procurou a Rádio Globo Minas, que já havia tentado tirá-lo da Itatiaia em mais de uma oportunidade. Porém, ele não conseguiu se acertar com a Globo e anunciou a sua aposentadoria. Logo depois, ele se mudou para Alcobaça no sul da Bahia, onde atualmente está curtindo a vida a beira-mar.

É claro que o Willy já estava sentindo o peso da idade independentemente de existir problema de voz ou não, mas, a Rádio Itatiaia tinha uma obrigação moral com ele e com os seus ouvintes de mantê-lo transmitindo jogos de futebol, mesmo que com menos frequência. Afinal de contas, muito do que a Itatiaia representa para o futebol mineiro hoje, se deve ao trabalho impecável do "alemão" ao longo destes 30 anos.

O Willy Gonser era muito ligado à torcida do Atlético e transmitia preferencialmente os jogos desta equipe. Eu não sou atleticano, pelo contrário, sou cruzeirense fanático, mas, sei reconhecer um bom trabalho. Tecnicamente o Willy é muitíssimo superior aos outros locutores do rádio mineiro, incluindo o locutor do meu Cruzeiro, o Alberto Rodrigues, que é muito simpático, mas, não chega nem perto da técnica e da vibração do Willy.

Portanto, fica aqui o meu protesto contra a falta de sensibilidade do Emanuel Carneiro e do restante da direção da Itatiaia. Valorizar a sua história e as pessoas que contribuíram para o crescimento da empresa é um passo firme para o futuro, a Itatiaia fez exatamente o contrário.

E um desejo final: volte a ativa Willy...


sexta-feira, 12 de março de 2010

Comparação Dilma X Serra

Eu estou apenas reproduzindo o texto abaixo. Fica claro que quem o escreveu, não gosta nem um pouquinho da Dilma, mas, ele não deixa de ter algumas informações interessantes.

O post abaixo é uma primeira versão de uma biografia comparada entre José Serra (PSDB-SP) e Dilma Rousseff (PT-RS), para ser espalhada pelos quatro cantos do Brasil. Não há nenhuma mentira neste levantamento de dados e fatos sobre a vida pública dos dois oponentes. Os Blogs pela Democracia têm o papel de colocar a verdade para o eleitorado médio, aquele que está longe dos blogs políticos. Precisamos, além do nosso trabalho dentro do nosso ambiente, transformar este tipo de post em e-mail, em corrente, em material para Orkut, em informação para as redes sociais. Este é o nosso trabalho. Aprimorem esta comparação. Criem a sua própria. Levantem novos dados. O importante é confrontar os dois candidatos. Quando a campanha começar, boa parte do Brasil já conhecerá José Serra e Dilma Rousseff. Com capacidade de julgar e escolher o que é melhor para o Brasil.

Aí vai, etapa por etapa, a vida dos dois:

José Serra tem 68 anos, é paulista, filho de imigrantes italianos, o pai vendedor de frutas no Mercado Público, foi criado em uma pequena casa quarto e sala, geminada com outras 24, em São Paulo.
Dilma Rousseff tem 62 anos, é mineira, filha de um imigrante húngaro, rico empreiteiro e dono de construtora, proprietário de dezenas de imóveis em Belo Horizonte, foi criada em um grande e espaçoso apartamento em Belo Horizonte.

Somente quando chegou ao Científico, a família Serra mudou-se para um apartamento de dois quartos, alugado. Antes disso, moraram em uma pequena casa em rua de chão batido.
Imóvel não era problema para a rica família Rousseff, que passava férias no Rio. Um dos espaçosos apartamentos foi cedido para Dilma utilizar, exclusivamente, como esconderijo seguro para os grupos terroristas dos quais participava, de onde saíam para praticar atentados, roubar e seqüestrar.

No início dos anos sessenta, vinculado à política estudantil, Serra foi presidente da União Estadual de Estudantes, de São Paulo, e da União Nacional dos Estudantes, com apoio da Juventude Católica. Democrata, sempre usou o palanque e a tribuna como armas, jamais integrando grupos terroristas e revolucionários manipulados pelo comunismo internacional.
Dilma, por sua vez, neste mesmo período, fazia política estudantil nas escolas mais burguesas de Belo Horizonte. Em 1963, ingressou no curso clássico e passou a comandar uma célula política em uma das mais tradicionais escolas da cidade, onde conheceu futuros companheiros de guerrilha, como o atual prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel.

Em 1964, exilou-se na Bolívia e, posteriormente, na França, retornando ao Brasil em 1965, na clandestinidade. Ainda neste ano, foi para o Chile, onde ficou durante oito anos. Com a queda de Allende, foi para a Itália e, posteriormente, para os Estados Unidos. Teve uma vida extremamente produtiva no exílio, onde adquiriu sólida formação acadêmica, foi professor e consultor.
Em 1964, Dilma começou a conviver com terroristas de esquerda, iniciando a sua carreira como militante na luta armada. Neste período ingressou na POLOP, Política Operária, onde militou até ingressar na universidade.

Em 1967, Serra casou-se com a psicóloga e bailarina Sílvia Mônica Allende, com quem tem dois filhos e dois netos e continua até hoje casado.
Dilma também se casou em 1967, com o terrorista e guerrilheiro Cláudio Galeno de Magalhães Linhares ("Aurélio", "Lobato"). Quando o primeiro marido a deixou, para ir cumprir missões em outros países, sequestrando um avião no Uruguai, por exemplo, teve um segundo casamento com Carlos Franklin Araújo, com quem teve uma filha. Desde 2000, não está casada.

Serra interrompeu a sua formação acadêmica em função do exílio, que impediu que seguisse a carreira de Engenheiro. No entanto, no Chile, fez um mestrado em Economia e foi professor de matemática na CEPAL. Posteriormente, nos Estados Unidos, fez mais um mestrado e um doutorado na prestigiada Universidade de Cornell. Tem uma das mais sólidas formações na área no Brasil.
Dilma ingressou em 1967 na faculdade de Ciências Econômicas da UFMG. Ali participou da criação do sanguinário grupo COLINA, Comando de Libertação Nacional. Posteriormente, participou ativamente da fusão entre a COLINA e a VPR, Vanguarda Popular Revolucionária, quando surgiu a violenta VAR-P, Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, responsável por dezenas de crimes contra civis e militares.

Serra permaneceu 10 anos longe do Brasil. Retornou em 1977, dois anos antes da Lei da Anistia, sendo um dos únicos que voltou sem nenhuma garantia de liberdade e ainda com os direitos políticos cassados.
Enquanto isso, Dilma estava na clandestinidade, participando de ações armadas, recebendo treinamento para guerrilha no exterior, ministrado por organizações comunistas internacionais. Aprendeu a usar o fuzil com maestria, especialmente na atividade de montá-lo e desmontá-lo no escuro. Foi presa em 1970, permanecendo nesta condição até 1973.

Em 1978, Serra iniciou a sua carreira política, que este ano completa 32 anos. Neste ano, teve sua candidatura a deputado impugnada, sob a alegação de que ainda estava com os direitos políticos suspensos. Foi admitido como professor de Economia na UNICAMP, onde ficou até 1984.
Em 1973, Dilma Rousseff retomou o curso de Economia na UFRGS, no Rio Grande do Sul, onde estava preso seu segundo marido, Carlos Araújo. Ingressou, junto com o marido, no PDT e recebeu um cargo de estagiária na Fundação de Economia e Estatística, em 1977. Em 1978, Dilma Rousseff começou a fazer o mestrado na UNICAMP e, depois, o doutorado. Durante anos, mentiu em seu currículo que tinha concluído os dois cursos quando, na verdade, mal cursou os créditos, que representa quando muito 10% de um título acadêmico strictu sensu.

Em 1983, Serra iniciou, efetivamente, a sua carreira como gestor, assumindo a Secretária de Planejamento do Estado de São Paulo.
Em 1985, Dilma assumiu a Secretaria Municipal da Fazenda, em Porto Alegre, no governo do pedetista Alceu Collares, com quem tem uma dívida de gratidão. Hoje Collares é conselheiro de Itaipu.

Em 1986, Serra foi eleito deputado constituinte, com a maior votação do estado de São Paulo. Foi o deputado que aprovou mais emendas no processo da Constituinte: apresentou 208 e aprovou 130, uma delas criando o Fundo de Amparo ao Trabalhador. Liderou toda a reformulação orçamentária e de planejamento do país, no período, que começaram a estruturar as finanças brasileiras, preparando-as para o futuro Plano Real.
Dilma saiu da Secretaria da Fazenda de Porto Alegre em 1988, sendo substituída pelo hoje blogueiro Políbio Braga, que afirma: "ela não deixou sequer um relatório, e a secretaria era um caos."

Serra foi um dos fundadores do PSDB, em 1988. Foi derrotado por Luiza Erundina, do PT, nas eleições para prefeito de São Paulo. Em 1990, foi reeleito deputado federal com a maior votação em São Paulo.
Em 1989, Dilma foi nomeada Diretora-Geral da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, na cota do marido no PDT. Alguns meses depois foi demitida, pois não obedecia a horários e faltava a todas as reuniões, segundo Valdir Fraga, o presidente da Casa, à época.

Em 1994, Serra foi um dos grandes apoiadores do Plano Real, mesmo com idéias próprias que o indispuseram, por exemplo, com Ciro Gomes. Neste ano, foi eleito senador por São Paulo, com mais de seis milhões de votos. Em seguida, assumiu o Ministério do Planejamento.

Em 1995, Dilma voltou para a FEE, mas como funcionária, já que o PDT havia perdido a eleição. Ali editou uma revista de indicadores econômicos, enquanto tentava acertar o seu “doutorado” na UNICAMP.

Em 1998, José Serra assumiu o Ministério da Saúde, criando os genéricos e o Programa de Combate a AIDS. Criou a ANS e ANVISA. Foi considerado, internacionalmente, como uma referência mundial em gestão na área.
Em 1998, na cota do PDT, Dilma assume a Secretaria de Minas e Energia, no governo petista de Olívio Dutra, eleito governador gaúcho. Vendo que o partido de Brizola estava decadente, ingressou no PT.

Em 2002, Serra candidatou-se à Presidência, sendo derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva.
Em 2002, Dilma foi nomeada ministra das Minas e Energia do governo Lula, puxando o tapete de Luiz Pinguelli Rosa, mestre em engenharia nuclear e doutor em física, que coordenava oi grupo de transição.

Em 2004, Serra elegeu-se Prefeito de São Paulo.
Em junho de 2005, Dilma assumiu o lugar de José Dirceu, o chefe da sofisticada organização criminosa do mensalão, sendo saudada por ele como “companheira de armas e de lutas”, em memória aos tempos da guerrilha.

Em 2006, elegeu-se Governador de São Paulo, cargo que exerce até os dias de hoje. É o candidato natural da oposição à Presidência da República.
De lá para cá, vem sendo imposta por Lula como a candidata biônica do PT à presidência da república. No dia 20 de fevereiro de 2010, foi ungida, sem nunca ter conquistado um só cargo público pelo voto ou por concurso, a candidata da situação à sucessão de Lula.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Pisada na bola do COB

A professora Katia Rubio, da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP), publicou um livro intitulado:


Em janeiro deste ano ela recebeu um documento do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), informando que ela deveria recolher o livro, pois, o tempo Olimpíada e suas variações, como olímpico, são de uso exclusivo do COB no Brasil.

É claro que o COB tem que proteger o uso indevido das marcas sob seu controle, mas, implicar com um livro que o usa o termo de uma maneira extremamente bem contextualizada e que só agrega valor ao movimento olímpico e ao esporte, é um absurdo.

O livro na verdade ajuda a divulgar o movimento olímpico e auxilia alunos e professores a se aproximarem dos valores do esporte. Ou seja, este livro sozinho presta muito mais serviço ao olimpismo que o COB vem fazendo, pois, só está mais preocupado com dinheiro e política e faz um trabalho insignificante com os esportes de base e formação de atletas.

Além disso, o COB deveria estar trabalhando para evitar que se repita no Rio 2016 a farra com o dinheiro público que se viu no Pan 2007. Isso sim é importante para a marca das Olimpíadas.

Depois que choveram protestos contra a atitude do COB, eles perceberam que haviam pisado na bola e a professora Katia Rubio recebeu uma carta do presidente Carlos Nuzman autorizando a comercialização do livro. Espero que tenham aprendido a lição.

Mais detalhes da história no Blog do Juca Kfouri ou do Luis Nassif.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Qualidade do ensino no Brasil

Eu recebi algo que foi classificado como uma "piada", mas, é bastante sério. É um suposto relato de uma professora de matemática sobre a baixa qualidade do ensino de matemática no Brasil. Eu sei que não é só o ensino de matemática que é ruim, o ensino em geral deixa muito a desejar, tanto em instituições públicas quanto privadas. Mas, a "piada" pelos menos nos faz pensar a respeito do assunto.

A verdade, é que "nunca antes na história deste país" nós tivemos tantas pessoas matriculadas nas escolas e ao mesmo tempo tanta mediocridade no ensino. Basta ver a quantidade de faculdades sem a menor estrutura que abriram por aí. A pessoa passa quatro anos fazendo um curso superior e saí sem a menor condição de lidar com questões básicas. Depois aparece na mídia reclamando: "Eu tenho curso superior e não consigo emprego na área". Na verdade, essa pessoa tem apenas um pedaço de papel na mão que é tratado como diploma, mas, os requisitos que se espera que aquele diploma proporcione, a pessoa não tem nenhum. Já passou da hora de deixar de nos preocuparmos apenas com a quantidade e passar a nos preocuparmos também com a qualidade do ensino e isso, desde o ensino básico.

Mas chega de conversa e vamos a "piada" que deu origem a este post:


Semana passada comprei um produto que custou R$15,80. Dei à balconista R$20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer. Tentei explicar que ela tinha que me dar R$5,00 de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender. 


Por que estou contando isso? Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim: 


1. Ensino de matemática em 1950: 


Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro? 


2. Ensino de matemática em 1970: 


Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$80,00. Qual é o lucro? 


3. Ensino de matemática em 1980: 


Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$80,00. Qual é o lucro? 


4. Ensino de matemática em 1990: 


Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$80,00. Escolha a resposta certa, que indica o lucro: 
( ) R$20,00 ( ) R$40,00 ( ) R$60,00 ( ) R$80,00 ( ) R$100,00 


5. Ensino de matemática em 2000: 


Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$80,00. O lucro é de R$20,00. Está certo? 
( ) SIM ( ) NÃO 


6. Ensino de matemática em 2003: 


Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Se você souber ler coloque um X no R$20,00. 
( ) R$20,00 ( ) R$40,00 ( ) R$60,00 ( ) R$80,00 ( ) R$100,00 


7. Em 2007 foi assim: 


Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$80,00. Se você souber ler coloque um X no R$20,00. (Se você é afro descendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa responder) 
( ) R$20,00 ( ) R$40,00 ( ) R$60,00 ( ) R$80,00 ( ) R$100,00 


8. Em 2010 vai ser assim: 


Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$80,00. Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00. (Se você ou algum de seus familiares vai votar na DILMA coloque o n° do seu título de eleitor no espaço a baixo e você está aprovado) 
( ) R$20,00 ( ) R$40,00 ( ) R$60,00 ( ) R$80,00 ( ) R$100,00 
( ______________________ ) n° do título de eleitor 


9. Daí para frente será assim: 


Se tu és do MST pegue o seu boné e sua camiseta, sua bolsa escola, sua cesta básica e se aposente! Que “a luta continua cumpanheiro”! Esse negócio de lucro é coisa de capitalista! A lenha pertence ao povo! Viva la revolucion! Pátria ou muerte! Abaixo o neoliberalismo! 


...coitado do ensino no Brasil!

sábado, 23 de janeiro de 2010

Aberrações no programa Lata Velha

O quadro Lata Velha do programa Caldeirão do Huck sempre me incomodou. Você pegar um carro moderno e "tunar" ele da maneira que quiser, eu acho de extremo mau gosto, porém, só diz respeito ao dono do carro.

Agora você pegar um carro antigo, clássico, que tem história e características únicas, para fazer um tunning que o descaracteriza completamente, como faz o Lata Velha, é um verdadeiro crime. Deveria haver uma lei que proibisse de se fazer determinadas modificações em carros históricos. Não se tombam casas históricas para evitar que elas sejam descaracterizadas? Deveriam também tombar alguns carros.

Felizmente, não sou apenas eu que me incomodo com as aberrações feitas no Lata Velha. Vejam no blog abaixo alguns crimes cometidos em nome da reforma de carros antigos:

http://bizarricesautomotivas.blogspot.com/search/label/Caldeir%C3%A3o%20do%20Xunning%20(Lata%20Velha)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Resenha: O Evangelho Segundo Jesus Cristo

Eu acabei de ler o livro "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" de José Saramago. 


É um livro muito interessante, principalmente se o leitor não tiver amarras religiosas que lhe tolham de pensar de maneira mais livre e aberta sobre o conteúdo dos evangelhos e a forma como a vida de Jesus é retratada. É um livro para quem é livre para pensar, questionar e imaginar, sem achar que Deus pode ficar ofendido por isso. 

Obviamente, é muito bem escrito, como é próprio do Saramago, apesar de, também como é típico do autor, ser uma leitura cansativa, pois, existem poucos parágrafos no texto e os diálogos não apresentam o travessão que indicam a mudança do orador. Outro detalhe, é que em minha opinião, o melhor título para o livro seria "O Evangelho Segundo José Saramago", pois, o livro mostra a visão do autor sobre a vida de Jesus e não retrata, como pode sugerir o título, um imaginário diário pessoal de Jesus. Sendo, inclusive, narrado na terceira pessoa. 

A história, em linhas gerais, é a que todo mundo já conhece, desde a concepção até a crucificação de Jesus, porém, Saramago subverte várias passagens dos evangelhos, cria outras e, principalmente, dá uma dimensão muito mais humana a Jesus e a todos que estão ao seu redor, inclusive ao próprio Deus. 

Não fica pedra sobre pedra. O autor muda tudo: desde a concepção imaculada até o relacionamento de Jesus com Maria Madalena, na verdade, ele questiona até as intenções de Deus ao mandar seu próprio filho à terra. Mas, o mais interessante, é quando ele mostra Jesus como uma pessoa comum, com suas inseguranças, que questiona o objetivo da sua missão, que é incapaz de perdoar a própria família por não tê-lo apoiado, que carrega um enorme sentimento de culpa por atitudes tomadas pelo seu pai e que tenta concluir a missão que Deus lhe deu da maneira mais rápida possível, sem se preocupar muito com a melhor forma de conduzi-la. 

Ou seja, para quem gosta de questionar as verdades tidas como absolutas e está aberto para imaginar outras possibilidades relacionadas à vida de Jesus, é uma leitura que vale a pena. Eu recomendo.

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